Por experiência com os nossos clientes de consultoria em ecommerce, sempre que o cliente decide investir no seu negócio online, a primeira questão que nos colocam é: então qual a melhor plataforma de ecommerce? É interessante reconhecer que na perspetiva da maioria das pessoas, é mais importante questionar qual a melhor plataforma e não perguntar “qual a plataforma que melhor se adequa ao meu negócio, fase do projeto, cliente-alvo ou até ao meu caderno de encargos (ou request for proposal – RFP)”.

Repetidamente, aqui no blog e com clientes reforçamos o nosso ponto de vista: sem caderno de encargos não existe tecnologia. Não é possível orçamentar uma loja online só com base na tecnologia escolhida, porque isso irá levar a entendimentos diferentes sobre as funcionalidades necessárias e objetivos de crescimento do negócio de ecommerce.

No entanto, sendo uma questão que nos colocam com enorme frequência, tentarei com este artigo esclarecer algumas das dúvidas que nos são colocadas, assim como farei uma comparação entre plataformas. 

Gostaria de referir que este artigo tem única e exclusivamente a ver com a nossa experiência, que como qualquer uma, pode ser enviesada pelos projetos com os quais tivemos oportunidade de trabalhar até hoje. Não pretendo promover tecnologias ou parceiros, ou propor que trabalhem com esta tecnologia em detrimento de outra. Quero é que compreendam até onde podemos ir com as ferramentas que temos à nossa disposição. 

Também quero referir que estas tecnologias servem 80% dos negócios online, desde que se enquadrem na venda de produtos acabados (já prontos), com stock próprio, em formato dropshipping ou outro equivalente. Não se refere a tecnologia para a criação de um marketplace, por exemplo, ou modelos de made-to-order que pela sua complexidade poderão necessitar de desenvolvimento à medida.

1. Open Source – Tecnologia “aberta”

A tecnologia de que mais se fala em termos de ecommerce é de open source, ou seja, uma tecnologia que não pagamos para utilizar – é livre para quem a quiser instalar e utilizar -, permite desenvolvimentos à medida e total personalização. Para usarmos estas tecnologias, precisamos de capacidade de desenvolvimento interno ou contratar parceiros que o façam. Por isso, é errado achar que a loja online será gratuita: terá sempre custos de programação para funcionar como pretende, design ou implementação de um template, os custos dos diversos plugins com os quais poderá ter de integrar a loja (para faturação, para email marketing, entre muitos outros), além do custo de alojamento.

Sem dúvida que as plataformas open source dão alguma liberdade a quem as usa: permite uma gestão independente e autónoma. No entanto, não é linear que qualquer programador consiga alterar o trabalho efetuado por outra equipa ou empresa. A programação é bastante flexível e pode ser feita de muitas formas. Isto significa que cada programador terá as suas preferências e pode ser difícil que outra pessoa “pegue” no trabalho anterior sem alguma orientação.

Plataformas open source: WordPress (plugin Woocommerce), Prestashop, Ppencart, Magento Community, Ubercart, osCommerce, Drupal Commerce, entre outras.

Se pretender trabalhar com uma destas plataformas, avalie previamente os custos com todos os plugins ou plataformas adicionais, alojamento e serviço de manutenção (ou custo de gestão interna). Valide se permitem todas as funcionalidades do seu caderno de encargos, principalmente na integração de sistemas para gestão de stock, encomendas, faturação, entre outros.

2. Saas – Software as a Service, que pode ser adquirido por um valor fixo (normalmente mensal) ou um preço variável (percentagem sobre vendas), ou ambos

As plataformas de Software as a Service trouxeram grandes vantagens ao mercado: permitem uma fácil e rápida implementação de um projeto de ecommerce, com menos recursos e maior autonomia na ligação de alguns plugins e, acima de tudo, na utilização de ferramentas que as plataformas disponibilizam. Ou seja, todos os negócios que utilizam a plataforma em questão, usufruem de um certo nível de funcionalidades. Podendo outras serem desenvolvidas à medida ou integradas através de plugins.

No entanto, isto não significa que será 100% autónomo: algumas tecnologias só estão disponíveis para implementação por parceiros, como é o caso da Salesforce.

Algumas são totalmente cloud como Shopify, Salesforce ou BigCommerce, outras são hybrid cloud, ou seja, são um misto em uma plataforma cloud, em que poderá utilizar as funcionalidades base da plataforma, mas também terá a oportunidade de pedir desenvolvimentos à medida ao seu parceiro, como o caso da Redicom Commerce Cloud, Adobe Magento Commerce, Shopify Plus ou Oracle Commerce.

Nestes últimos casos, também existe um outro cenário: além do pagamento do valor fixo ou variável (mensalmente ou anualmente), existe, normalmente, um custo de uma licença de utilização renovável ou perpétua. Exemplo: pagará no início do projeto o custo da licença e depois anual ou mensalmente um valor adicional. Mas não terá custos adicionais de desenvolvimento (a não ser que seja à medida e não esteja já a ser planeado pela equipa que gere a tecnologia) ou de suporte. Pode também não ter custos de alojamento.

Também no SaaS é importante analisar o tipo de projeto que se pretende implementar: se está numa fase inicial do negócio poderá fazer sentido testar em Shopify, mas num negócio já estabelecido, que necessita de certas ferramentas como integração com os sistemas de gestão e de faturação da empresa ou diversas listas de preços e pontos de stock, deve investigar qual a plataforma e parceiro que consiga responder às suas necessidades (e questões).

3. Plataformas desenvolvidas internamente ou in-house

Podemos usar como exemplo as plataformas open source. Depois de fazermos o download do código-fonte, podemos instalá-lo em qualquer servidor dentro da empresa e gerir todos os desenvolvimentos a partir daí. Ou ainda, fazer o desenvolvimento de código de raiz internamente e também gerir todos os recursos dentro da nossa empresa. 

Empresas de grande dimensão, nas quais a tecnologia é fundamental como Amazon ou Farfetch, iniciaram os negócios desta forma e assim continuam a fazê-lo. A não ser que o seu negócio dependa profundamente da tecnologia, ou o seu modelo de negócio esteja associado ao desenvolvimento de tecnologias para lojas online, não é recomendável seguir este caminho. 

Existem, claro, vantagens neste modelo: controlo sobre o código desenvolvido e acesso único à informação, associado à gestão interna e manutenção da segurança de acesso aos dados (se bem que, com a partilha de dados online tudo pode acontecer), à capacidade de personalização da tecnologia e ainda a performance da plataforma, conseguida através de servidores robustos e de elevada capacidade, e gerida por uma equipa forte e experiente de IT.

No entanto, as desvantagens são também bastante claras: o custo inicial do projeto, gestão e manutenção é bastante elevado, a escalabilidade e expansão do negócio online podem ficar comprometidas sem uma forte capacidade financeira e de sistemas e, por fim, o acesso remoto é quase impossível e retira o fácil acesso por parceiros (caso seja necessário).

4. Outras plataformas desenvolvidas por parceiros tecnológicos.

Mencionei algumas tecnologias, apenas como exemplos de cada tipologia de plataforma de ecommerce, mas existem muitas mais no mercado. Existem, inclusive, plataformas próprias desenvolvidas por empresas especializadas em desenvolvimento web, que são usadas em muitos sectores de mercado. Tenho total respeito por qualquer empresa que desenvolva ecommerce e acredito que possuam ferramentas ajustadas ao conhecimento que possuem do mercado online.

Independentemente da tecnologia escolhida, deixo-lhe algumas questões que deverá colocar, seja internamente à sua equipa, seja ao parceiro tecnológico. Recomendo também que faça pesquisas sobre a plataforma que pretende escolher, analise as suas vantagens e desvantagens e foque-se em desenvolver um caderno de encargos o mais completo possível, e que reflita os requisitos do seu negócio.

Questões a colocar:

  • Quais as lojas online que já desenvolveram e que estão neste momento online (para que possa analisar)?
  • Qual a faturação média anual das lojas online com as quais trabalham ou desenvolveram?
  • Pode-me disponibilizar contactos dos seus clientes para pedir feedback?
  • Qual a tecnologia em que estão desenvolvidas? Ou qual a tecnologia com a qual trabalham (própria ou alguma do mercado, open source, SaaS, etc.)
  • Trabalham com templates ou design à medida?
  • Usam maioritariamente plugins ou desenvolvimento à medida?
  • Têm desenvolvimento interno, ou recorrem a freelancers, ou ambos?
  • Quais os custos de implementação do projeto e quais os custos de manutenção e desenvolvimento? Tenha em consideração os custos iniciais e os custos anuais. 
  • Quais as ferramentas de marketing digital que a loja online possui: possibilidade de implementação de SEO, email marketing, marketing automation, integração com Facebook Ads, Google Ads e Google Analytics, criação de feeds automáticos para campanhas de marketing, ou outros que sejam relevantes para o seu negócio online.

Um último conselho: não escolha uma tecnologia ou parceiro por ser o mais barato, ou por confiar mais na pessoa, porque trabalha com ela há anos. Procure informar-se antes de qualquer decisão e invista de uma forma consciente no seu negócio. É muito fácil “deitar fora” muitos milhares de euros devido a uma má decisão sobre a escolha da sua plataforma de ecommerce.