O lançamento de um negócio online exige a escolha de uma plataforma de ecommerce. Claro que é possível começar por testar a venda dos nossos produtos em Marketplaces – como Amazon, Ebay, etc -, no entanto, para alguns negócios (que não possuem margens para pagamento a Marketplaces), no momento de decisão de qual plataforma a utilizar para colocar os seus produtos à venda online surge a dúvida: qual é a plataforma de ecommerce certa para o meu negócio?

Neste artigo apresentamos as 5 questões que deve colocar a si próprio – e a potenciais parceiros tecnológicos – antes de avançar com o desenvolvimento do projeto.

Quais as integrações que necessito para o meu ecommerce?

Possuo algum software de gestão (ERP- Enterprise Resource Planning) ou de faturação?

Nos negócios já estabelecidos offline é usual existir um software de gestão, onde todas as operações referentes à gestão da empresa – Recursos Humanos, Compras, Stocks, Margens, Facturação e Notas de crédito, etc são geridas no mesmo. Quando surge o objetivo de lançar a loja online, normalmente – e para redução de intervenção humana -, pretende-se um processo totalmente integrado: os produtos são criados em ERP e enviados, automaticamente, para o website (incluindo todos os detalhes, descrições, taxonomia dos produtos), assim como a atualização de stocks e preços (com timmings a definir); e ainda, toda a integração de encomendas, gestão de faturas e notas de crédito. Podem ainda definir integração com transportadoras – para que seja possível, por parte do cliente e do serviço de apoio ao cliente, acompanhar todo o processo da encomenda.

Se pretender algum nível de integração com a plataforma de ecommerce, sugerimos a utilização de uma BDI (base de dados intermédia), que fará toda a gestão de informação entre as plataformas utilizadas – seja a loja online, ERP, WMS (warehouse management system), ou outros.

Procure também questionar os potenciais parceiros tecnológicos ao nível de integrações: experiência, dificuldades e casos de sucesso.
Garanta que na escolha do parceiro tem a certeza que o mesmo possui capacidade para integrar com o seu ERP.

Quantos produtos vou ter disponíveis para venda online?

O número de produtos – referências -, também influencia a decisão por vários motivos:

Se o website tiver mais do que 50 produtos a tecnologia escolhida poderá não ser rápida o suficiente. Com os produtos vêm os conteúdos, imagens, informação sobre vendas e até volume de clientes;
Com muitos produtos surge a necessidade de maior frequência de actualização de stocks e, dependendo do negócio, atualização de preços;
Não nos podemos esquecer do desempenho da plataforma de ecommerce em mobile – muitas vezes em desktop o desempenho (rapidez, tempo de carregamento) poderá não ser muito lento, no entanto, em mobile, a lentidão poderá ser bastante superior;

Se pretender um negócio denominado de “monoproduto” – exemplo: venda de cremes para rosto com 10 cremes diferentes -, pode optar por uma plataforma mais “simples” (entre as mais conhecidas o Shopify, com a qual pode lançar o seu negócio num fim-de-semana). Se o seu negócio é mais complexo (vende calçado e possui mais de 3.000 referências por estação, por exemplo), procure uma empresa com experiência neste mercado de desenvolvimento de lojas online.

Qual o volume de vendas esperado (quantidade e valor)?

O investimento numa plataforma de ecommerce pode ser avultado numa fase inicial – e até elevado para alguns empreendedores. A melhor forma de calcular o investimento disponível para o desenvolvimento da loja online é basear o mesmo em vendas. Analise o seu mercado, procure reports de vendas online na sua área de negócio ou informação sobre os seus potenciais clientes e o seu perfil de compra. Dedique tempo a conhecer melhor o seu mercado e tome decisões, baseadas em números, não no orçamento mais baixo.
Analise quando deverá atingir o breakeven – momento em que os custos estão totalmente cobertos pelas vendas geradas -, e ainda o payback, ou seja, qual o tempo necessário para recuperar o investimento efetuado.

Também é importante ter em consideração que a plataforma de ecommerce é apenas uma parte do investimento necessário: todos os dias trabalhamos com clientes que já tiveram mais do que uma plataforma de vendas online. Porque é que isto acontece? Investiram no orçamento mais baixo ou não investiram o suficiente em Marketing para obterem o retorno esperado. Consideramos que o investimento em Marketing deve ser sempre uma percentagem sobre as vendas previstas (entre 10% a 20% – dependendo dos negócios).

Invista numa plataforma que seja escalável e que lhe permita crescer o seu negócio.

Esteja atento a características importantes, tal como a capacidade de ser multimercado, multilingue e multimoeda; desta forma evita custos acrescidos posteriormente. Procure também plataformas com ferramentas avançadas de marketing, como: visual merchandising, campanhas complexas, gestão total de conteúdos através de backoffice, ou outros que sejam relevantes para a sua tipologia de negócio.
Com a avaliação do volume de negócios e margens, poderá optar por uma plataforma paga na totalidade ou plataformas SaaS, em que pagará um valor por cada transação.

Qual a equipa que terei dedicada ao projeto?

O número de pessoas também poderá definir a plataforma. Se tivermos a capacidade – e conhecimento – de gerir internamente toda a parte de programação da plataforma, podemos optar por plataformas open source ou desenvolvidas à medida. Mas na grande maioria das vezes, os clientes optam por externalizar este desenvolvimento; seja por falta de recursos ou por falta de conhecimento efetivo da área de negócio. Se, por um lado, o código desenvolvido é nosso, por outro, o time to market é muito superior.

Se pretende um menor número de recursos humanos, opte por plataformas com maior número de automatismos e integrações. É extremamente complicado gerir produtos, preços, stocks e faturação manualmente e de forma contínua. Requer mais recursos humanos e é mais sujeito a erros.

Já desenvolvi o meu RFP (request for proposal) ou caderno de encargos?

Se ainda não o fez, faça-o antes de definir qual a plataforma e parceiro tecnológico. Desenvolva um documento extenso, onde coloca tudo o que pretende que a sua loja online possua ou faça: desde campanhas de marketing, passando por funcionalidades como pop ups ou áreas dinâmicas, até ao checkout, reporting, integrações – tudo o que necessita para desenvolver o seu negócio no nível que pretende. Dedique bastante tempo a desenvolver este documento ou encontre um consultor na área de e-commerce que tenha experiência no desenvolvimento de projetos de raiz e que o consiga ajudar nesta tarefa.
Analise a concorrência e outros websites de vendas online; procure pontos comuns que lhe interessaria ter na sua loja. Defina ainda todos os processos: logísticos, atendimento ao cliente, marketing… Pode parecer uma tarefa difícil sem a plataforma, no entanto, tudo o que conseguir definir nesta fase, evitará custos acrescidos posteriormente.

Procure incluir no RFP tudo o que necessita para lançar o seu negócio com a qualidade que pretende.

Não invista apenas tempo a analisar a parte visual da loja; pense, igualmente, nas necessidades de gestão diária da loja, processos logísticos e de transportes, integrações, reportings de vendas, campanhas de vendas, campanhas de angariação de registos, outras campanhas de marketing digital, entre outros. É preferível colocar tudo o pretende: permite-lhe avaliar a sua necessidade real na fase de orçamentação, em vez de definir novos requisitos na fase de desenvolvimento (em que estes lhe poderão custar o dobro!)